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Cinco de Cada Vez

A fotografia tem pouco a ver com as coisas que vemos, e muito a ver com a forma como as vemos..

A fotografia tem pouco a ver com as coisas que vemos, e muito a ver com a forma como as vemos..

Cinco de Cada Vez

13
Ago19

Alentejo


cincodecadavez

 

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Alentejo.. 

Temos o Alto e o Baixo.. Há o Alentejo interior e há o Alentejo das praias a perder de vista..

 

Em criança, toda e qualquer época de férias significava que rumávamos a sul e, assim, a palavra Alentejo remete imediatamente para memórias de infância..

 

Alentejo era sinónimo de Natal, de Páscoa, e de férias de Verão..

 

Se em Dezembro tínhamos frio e pouco se fazia enquanto esperávamos pelo momento alto das férias, a abertura dos presentes à meia-noite do dia vinte e quatro, no verão era tudo muito diferente..

Tínhamos banhos nas águas frias de Porto Covo, banhos nas águas quentes de São Torpes, piqueniques no pinhal da Ilha do Pessegueiro e banhos com shampô nas bicas de água doce da Ilha.. Tomávamos banho na barragem de Campilhas e fazíamos passeios de bicicleta entre irmãs e primas, e quando não havia nada para fazer inventávamos o passar do tempo..

 

Fugíamos pela janela da casa da avó para ir a correr à padaria comprar pão quente, saído do forno à meia-noite, e voltávamos para casa, também a correr, entrávamos pela porta, deixando todos entre o ralhete fingido e o riso..

 

Pregávamos partidas às tias mais velhotas e fugíamos a rir para nos esconder e, a determinada altura, já pedíamos que o tempo passasse depressa para voltarmos à escola..

 

Os dias eram longos, por vezes sinónimo de diversão, por vezes sinónimo de uma real seca, mas eram as nossas férias, e as memórias ficaram gravadas..

 

Voltamos todos os anos, à pressa, mas voltamos..